Eu não entendo o Portunhol!!! E você?

Portunhol


PORTUNHOL: INTERLÍNGUA OU IDIOMA INACEITÁVEL?

Por Gilberto Barros Lima


As constantes transições oriundas da globalização modificaram diversos aspectos culturais da sociedade mundial, freqüentemente tais efeitos implicam na agregação de elementos para o conhecimento de novos costumes e na propagação das peculariedades regionais como fatores de integração regional. Na somatória dos aspectos apresentados, é fundamentalmente relevante para estabelecer a conexidade entre os países, o emprego de um outro idioma.

Um idioma desconhecido passou a exercer uma obrigatoriedade nas relações internacionais, sejam eles designados nos âmbitos políticos, econômicos e sociais, de todo modo a comunicação é uma variante preponderante na convivência global. Desde que os países se tornaram adeptos da nova ordem mundial imposta pelo livre comércio, a língua não poderá ser o obstáculo nas rodadas das negociações, nas cooperações bilaterais ou multilaterais e também nos intercâmbios internacionais.


Entretanto, no espaço territorial sul-americano reinam duas línguas, o Português e o Espanhol, frutos das heranças coloniais que dominaram o continente e tomaram a posse da língua nativa pronunciada pela nação indígena. Diante desse fato histórico que implantou a divisão dos países, independente da necessidade de aprender corretamente ambos idiomas, o que impressiona neste período de mudanças é a constante usualidade da junção destas línguas distintas se transformando no conhecido “portunhol”.


A definição simplificada dos variados conceitos do “portunhol” é a miscelânea de termos do Português com o Espanhol erroneamente pronunciado em diversos segmentos da sociedade que costumam afirmar que o espanhol é um idioma de fácil compreensão. Aliás, por parte dos brasileiros, a língua espanhola é compreendida com mais facilidade do que o Português pelo Espanhol, essa característica tem sido um requisito de ignorar a língua espanhola em determinados aspectos, por exemplo, um grande número de brasileiros nunca estudou o Espanhol e se consideram detentores do domínio da língua, até mesmo se convencendo da não necessidade de vir a aprendê-lo.


Essa postura ignorante impulsiona a defesa de pronunciar o “portunhol” imaginando estar falando fluentemente o Espanhol, daí nasce à incompreensão gramatical da língua espanhola pronunciada pela maioria dos países da América Latina. Com o advento do Mercosul, a relação entre os países exige o conhecimento do Espanhol que é um idioma conhecido por uma grande parte da sociedade mundial e detém o segundo lugar como instrumento de comunicação no mercado internacional.


Porém, antes mesmo de protestar contra o uso indiscriminado do “portunhol”, se deve pesquisar alguns conceitos de sua fase originária, pois no debate desafiador sobre a permissão ou proibição deste fenômeno é constatado que alguns se referem ao “portunhol” como uma interlíngua utilizada constantemente pelos habitantes das regiões fronteiriças e que serve de instrumento para comunicação local, no entanto, é percebida a usualidade do “portunhol” também nas cidades.


Observado por outro ângulo, cabe evidenciar com seriedade que atualmente o “portunhol” é considerado por algumas autoridades brasileiras como a língua mercosulina, este fato provoca uma séria polêmica devido ao “portunhol” não ser assimilado por ambas gramáticas. De outra maneira é interessante observar que quanto mais uma língua for pronunciada, conseqüentemente esse hábito ganhará vivacidade, haja vista, também a sua consolidação como uma nova língua.


O bilingüismo existente na fronteira com outros países da América do Sul possibilita a continuidade do uso do “portunhol”, esse elemento passou a ser um aspecto cultural da localidade, a simples convivência dos habitantes concretizou o “portunhol” como uma forma rotineira de comunicação. O corriqueiro costume do “portunhol” é uma realidade entre a população daquela região, simplesmente o linguajar do “portunhol” possui a aceitação da maioria das pessoas.


Desse modo, a consolidação divergente do “portunhol” ganha espaço e notoriedade, apesar de ser combatido pelas mais variadas causas que defendem a originalidade das línguas portuguesa e espanhola, a sua propagação se amplia ligeiramente pelos territórios circunvizinhos e se aproxima cada vez mais dos centros urbanos.


A utilização do “portunhol” pelos brasileiros faz com que se cometa graves enganos e repetidas descortesias, a ilusão de pensar que não necessita o estudo do Espanhol muitas vezes rende confusões e a interferência negativa pelos constantes erros ocasionados pela mistura das línguas é um dos piores contratempos observados pelos professores de nacionalidades diferentes.


A língua espanhola merece total credibilidade e o “portunhol” pode ocasionar diversos constrangimentos em algumas situações quando sua interpretação se chocar com o verdadeiro significado de uma palavra espanhola. Há inúmeros exemplos, alguns engraçados, cometidos principalmente por brasileiros ao utilizar o “portunhol” como única ferramenta de comunicação, afinal, nem todas as palavras do Português, bem como, do Espanhol que sejam semelhantes tenham os mesmos significados.


O questionamento momentâneo é saber se o “portunhol” poderá ser considerada uma nova língua falada no continente sul-americano ou ele não resistirá, ou ainda, qual será o impacto dessa diferenciação poderá provocar na cultura sul-americana?


Vale ressaltar que independentemente do conhecimento de outra língua, como o Espanhol, há também a necessidade de entendimento da outra cultura para a compreensão de todos os aspectos inclusos na latinidade presente no continente.


De qualquer forma, não se deve subestimar os fenômenos da realidade contemporânea na qual vivenciamos, contudo muito menos duvidar das ocorrências promovidas pelas rápidas transformações globalizadoras, afinal o mundo se encaminha para uma política supranacional onde ocorrerá uma futura unificação de elementos econômicos e sociais.


Por sua vez, neste contexto comportamental persiste o uso surpreendente do “portunhol” na preferência de algumas pessoas, em virtude de não disponibilizarem das condições do tempo e dinheiro para o aprendizado correto do Português e do Espanhol.


Defronte ao crescente desafio, os países deveriam aplicar permanentemente nos currículos escolares ambos idiomas para que não ocorresse a aparição de uma nova forma de comunicação considerada inadequada para alguns e aceitável naturalmente por outros.


É fundamental o estudo das línguas em todos os sentidos com a finalidade de evitar deduções absurdas do vocabulário de ambos idiomas, não há credibilidade no universo globalizado para a perpetuação de situações constrangedoras ocasionadas pelo indevido uso das línguas no processo permanente da integração regional. Enquanto nenhuma solução não é aplicada ao dilema, tanto os “hermanos” e brasileiros não descartam o consenso da continuidade de “hablar o portunhol”.








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